Meningites: Como a vacina pode ser sua aliada.

08/08/2021 Saúde | Vacinas Saúde Livre Vacinas

A meningite é uma inflamação nas membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal. Ela pode ser causada por bactérias, vírus, parasitas e fungos.

No Brasil, a meningite é considerada uma doença endêmica (doença infecciosa que ocorre habitualmente e com incidência significativa em dada população e/ou região), e pode ocorrer ao longo de todo ano, sendo a meningite do tipo viral mais comum nas estações como primavera e verão, e a bacteriana, que é muito mais grave, costumam ocorrer com maior frequência nas estações de outono e inverno. O sexo masculino também é o mais acometido pela doença.

Vários agentes podem ser causadores da meningite, as meningites virais e bacterianas são as de maior importância para a saúde pública, considerando a magnitude de sua ocorrência e o potencial de produzir surtos.

Apesar de ser habitualmente causada por microrganismos, a meningite também pode ter origem em processos inflamatórios, como câncer (metástases para meninges), lúpus, reação a algumas drogas, traumatismo craniano e cirurgias cerebrais.

Para entender o papel da vacina na prevenção da meningite é importante saber um pouco mais sobre a doença meningocócica.

Doença Meningocócica 

A doença meningocócica (DM) causada pela bactéria Neisseria Meningitidis, caracteriza-se por uma ou mais síndromes clínicas, sendo a meningite meningocócica a mais frequente delas, e a meningococcemia (infecção generalizada) a forma mais grave. Em torno de 1.500 a 3 mil brasileiros são acometidos todos os anos pela doença meningocócica, e pessoas não vacinadas de qualquer idade são vulneráveis, sendo que no Brasil a Doença Meningocócica é mais frequente entre crianças com até 5 anos de idade. As crianças, os adolescentes e adultos jovens têm o risco de adoecimento aumentado em surtos. Os maiores coeficientes de incidência da doença são observados em lactentes, no primeiro ano de vida.

Existe mais de um tipo de Doença meningocócica? 

A doença meningocócica possui cinco tipos (sorogrupos) de meningococo que causam a maioria dos casos de DM. São eles: A, B, C, W e Y, e a importância de cada um varia conforme o país ou região. O sorogrupo mais frequente no Brasil é o tipo C, e por esse motivo, sabendo da gravidade da doença, a vacina foi incluída em 2010 no calendário infantil do Programa Nacional de Imunizações(PNI). 

O sorogrupo do tipo B é hoje o mais predominante entre as crianças. Em todas as faixas etárias é o segundo, atrás apenas do sorogrupo do tipo C e à frente do W e 

do Y. 

Atenção para a meningite bacteriana!

A meningite bacteriana é geralmente mais grave e os sintomas incluem febre, dor de cabeça e rigidez de nuca. Muitas vezes há outros sintomas, como: mal-estar, náusea, vômito, fotofobia (aumento da sensibilidade à luz), status mental alterado (confusão), e com o passar do tempo, alguns sintomas mais graves de meningite bacteriana podem aparecer, como: convulsões, delírio, tremores e até mesmo coma.

Em recém-nascidos e bebês, alguns dos sintomas descritos acima podem estar ausentes ou difíceis de serem percebidos. O bebê pode ficar irritado, vomitar, alimentar-se mal ou parecer letárgico ou irresponsivo a estímulos. Também podem apresentar a fontanela (moleira) protuberante ou reflexos anormais.

Na meningococcemia, além dos sintomas citados acima, podem aparecer outros como: fadiga, mãos e pés frios, calafrios, dores severas ou dores nos músculos, articulações, peito ou abdômen (barriga), respiração rápida, diarréia e manchas vermelhas pelo corpo. Perda da audição e visão, problemas com memória, concentração, coordenação motora, equilíbrio, aprendizado e fala, epilepsia e paralisia cerebral são possíveis complicações da meningite

A transmissão da bactéria causadora da doença meningocócica ocorrer por gotículas através do beijo, da tosse ou de espirros, e também podem ser transportadas no nariz e na garganta de uma pessoa infectada que não apresenta sintomas, mas que ainda assim são potenciais transmissores da doença, como é o caso dos adolescentes que estão entre os principais transmissores da doença.

A meningite meningocócica pode levar a complicações graves? 

O risco de morte por meningite meningocócica é alto, pois a evolução da doença é muito rápida, variando de 10% a 20%, e podendo chegar a 70% o risco de letalidade, se a infecção for generalizada (meningococcemia). Quanto mais cedo o tratamento no hospital for realizado, maior será a chance de cura. Porém, de 11% a 19% dos sobreviventes ficam com sequelas, que podem incluir perda de audição, amputação de membros, alterações neurológicas e cicatrizes na pele.

Existe prevenção? 

A vacinação é a principal forma de prevenção da doença meningocócica. As vacinas são seguras e eficazes, tendo em média, mais de 95% de proteção garantida aos vacinados.

Dentre as vacinas, sabemos que a proteção gerada pelas vacinas conjugadas (meningocócica C e ACWY) não é para toda a vida.A proteção conferida por ambas as vacinas não é permanente. Por esse motivo, após o esquema primário no primeiro ano de vida, a SBIm ( Sociedades Brasileiras de Imunizações) e a SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) recomendam reforços aos 12 meses, entre os 5 e 6 anos e aos 11 anos de idade. Os adolescentes que não se vacinaram na infância devem receber duas doses, com intervalo de cinco anos entre elas. O mesmo acontece com quem teve a doença, ou seja, a quantidade de anticorpos cai ao longo do tempo e o indivíduo deixa de estar protegido, daí a importância das doses de reforço, conforme as recomendações das SBIm e SBP.

Além disso, é importante a aplicação da vacina meningocócica B, igualmente recomendada para crianças a partir de 3 meses e para adolescentes. O esquema varia de acordo com a idade de início da vacinação.  Esta vacina pode ser aplicada no mesmo momento em que a vacina meningocócica ACWY.

Crianças e adolescentes de qualquer idade que não tenham sido vacinados anteriormente também podem se proteger com as vacinas ACWY e B. O número de casos em adultos não justifica a inclusão no calendário de rotina. Entretanto, a administração deve ser considerada em situações de risco epidemiológico, como surtos ou viagens para áreas onde a enfermidade é endêmica.

A meningite é uma doença séria, e na suspeita da doença, deve-se procurar atendimento médico o mais rapidamente possível. Reforçamos que as vacinas contra meningite são a melhor forma de prevenir a doença.

Vacinas salvam vidas! 

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