Com poucas crianças vacinadas, Brasil tem ameaça de retorno da poliomielite

29/09/2022 Notícias | Saúde Saúde Livre Vacinas

Termina nesta sexta-feira (30/09) a Campanha Nacional de Vacinação contra o poliovírus, causador da paralisia infantil. A vacina oral, conhecida como gotinha, deve ser aplicada em crianças de 1 a 4 anos de idade. Porém, a baixa adesão tem preocupado autoridades, que alertam para a possibilidade de retorno da poliomielite – que não tem casos registrados no país desde 1989.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), a cobertura vacinal está em torno de 70%. A meta é imunizar 95% do público-alvo, que é composto por 14,3 milhões de crianças menores de 5 anos. Com o número atual, cerca de 1 milhão de crianças estão desprotegidas contra a doença, que pode deixar sequelas motoras graves e até matar.

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, discursou na segunda-feira (26) na 30ª Conferência Sanitária Pan-Americana. Ele afirmou que as Américas passam por um momento delicado com a ameaça de retorno da poliomielite na região.

“Precisamos ampliar as coberturas vacinais e fortalecer nossos sistemas de vigilância para evitar o risco de reintrodução dessa enfermidade imunoprevenível em nossa região. Precisamos agir agora (…) e agir juntos”, declarou Queiroga. Ele disse ainda que há necessidade de elaboração de um plano de resposta a surtos atualizado, segundo as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Doença

O Brasil recebeu em 1994 o certificado de eliminação da pólio, resultado atingido graças ao sucesso das campanhas de vacinação que protegeram a população. Agora, no entanto, o risco volta a rondar o país. A doença é infectocontagiosa, e sua transmissão ocorre por contato direto com fezes ou secreções de uma pessoa contaminada.

Sem um tratamento específico, a única forma de prevenir a poliomielite é a vacinação, que consiste em três doses injetáveis aplicadas aos dois, quatro e seis meses de idade, e completada com duas doses em gotas até os cinco anos. O vírus ainda circula livremente no Paquistão e no Afeganistão.

“Enquanto a poliomielite existir em qualquer lugar do planeta, há o risco de importação da doença. É um vírus perigoso e de alta transmissibilidade, mais transmissível do que o Sars-CoV-2, por exemplo. Estamos com sinal vermelho no Brasil por conta da baixa cobertura vacinal, e é urgente se fazer algo. Não podemos esperar acontecer a tragédia da reintrodução do vírus para tomar providências”, declarou o pesquisador Fernando Verani, epidemiologista da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP/Fiocruz).

Sintomas

O poliovírus começa a se multiplicar na garganta e no intestino, e através da corrente sanguínea chega até o cérebro. O período de incubação do vírus é de 5 a 35 dias, e a infecção pode ser assintomática na maioria dos casos, ou provocar sintomas leves como febre, mal-estar, vômito, diarreia, e dores no corpo. Ele também pode ser causador de meningite.

No entanto, quando ataca o sistema nervoso, o vírus destrói neurônios motores, que são responsáveis por enviar sinais aos músculos e glândulas. Nesse caso, pode ocorrer paralisia total ou parcial dos membros inferiores.

Por outro lado, se a poliomielite atacar centros nervosos que comandam a respiração ou deglutição, ela pode levar à morte. Os únicos tratamentos disponíveis são paliativos, e consistem em repouso, medicação para dor e acompanhamento ortopédico e fisioterápico.

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