Complicações do HPV e a relevância da vacina na proteção tanto da mulher como do homem

30/11/2021 Vacinas Saúde Livre Vacinas

Você provavelmente já deve ter ouvido falar sobre o HPV, um vírus sexualmente transmissível, que praticamente 80% da população que é sexualmente ativa já teve ou terá contato.  A principal forma de contágio do HPV é por via sexual, seja por relação anal, vaginal, oral ou outros tipos de contato durante uma relação. E o principal sinal da infecção pelo vírus são verrugas genitais, que têm a aparência parecida com uma couve flor. 

Contudo, podem haver complicações mais sérias, e devemos ter muita atenção para que a infecção pelo vírus não se torne um câncer.  

Principais complicações do HPV 

Segundo dados do INCA, aproximadamente 291 milhões de mulheres no mundo são portadoras do HPV, sendo que 32% estão infectadas pelos tipos 16, 18 ou ambos. Esses são os tipos responsáveis por 70% dos tipos de cânceres cervicais, que pode levar ao desenvolvimento de lesões precursoras, que se não forem identificadas e tratadas podem progredir para o câncer, principalmente: 

  •  câncer do colo do útero; 
  •  câncer vaginal; 
  •  câncer de vulva; 
  • câncer anal;
  • câncer de orofaringe. 

É importante ressaltar que o HPV atinge homens e mulheres, e em ambos os sexos ele pode causar câncer.  Para homens e mulheres, pode causar o câncer de ânus e o câncer de orofaringe (que é a parte logo atrás da boca), e os homens devem ficar muito atentos ao:  

  • câncer de pênis. 

EXISTE UMA VACINA SEGURA E EFICAZ CONTRA O HPV 

Existem duas vacinas profiláticas contra HPV aprovadas e registradas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e que estão comercialmente disponíveis: 

  • vacina quadrivalente, que confere proteção contra HPV 6, 11, 16 e 18. 
  • vacina bivalente, que confere proteção contra HPV 16 e 18.

O Ministério da Saúde, implementou no Sistema Único de Saúde a vacinação gratuita contra o HPV em meninas de 9 a 14 anos de idade, e meninos de 11 a 14 anos de idade. Esta faixa etária foi escolhida por ser a que apresenta maior benefício pela grande produção de anticorpos e por ter sido menos exposta ao vírus por meio de relações sexuais.

As vacinas são preventivas, tendo como objetivo evitar a infecção pelos tipos de HPV nelas contidos. A vacina quadrivalente, aprovada no Brasil, previne lesões genitais pré-cancerosas de colo do útero, vulva e vagina e câncer do colo do útero em mulheres e verrugas genitais em mulheres e homens, relacionados ao HPV 6, 11, 16 e 18.

A vacina bivalente previne lesões genitais pré-cancerosas do colo do útero e câncer do colo do útero em mulheres, relacionados ao HPV 16 e 18.

SE VOCÊ JÁ TEVE DIAGNÓSTICO DA DOENÇA OU ESTÁ EM TRATAMENTO, A VACINA AINDA É RECOMENDADA 

Ainda é muito comum as pessoas que já tiveram diagnóstico de HPV ou que estão em tratamento, entenderem que a vacina não é mais necessária, mas existem evidências científicas de que ainda há benefício em vacinar mesmo após contrair o vírus, pois a vacina protege contra 4 tipos diferentes e ainda pode causar menos recidivas. 

Como a vacina contra o HPV é inativada, ela se torna totalmente segura, eficaz, e não pode causar a doença em quem a recebe. Os eventos adversos mais observados incluem dor, inchaço e vermelhidão no local da injeção e dor de cabeça de intensidade leve a moderada.

A VACINAÇÃO NÃO ISENTA OS EXAMES PERIÓDICOS 

Segundo dados do INCA, é imprescindível manter a realização do exame preventivo, pois as vacinas protegem apenas contra dois tipos oncogênicos de HPV, responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer do colo do útero. Ou seja, 30% dos casos de câncer causados pelos outros tipos oncogênicos de HPV vão continuar ocorrendo se não for realizada a prevenção secundária.

ONDE POSSO ME VACINAR 

O Programa Nacional de Imunizações (PNI) disponibiliza a vacina para:

  • Meninas de 9 a 14 anos de idade;
  • Meninas de 15 anos que já tenham tomado uma dose;
  • Meninos de 11 a 14 anos;
  • Indivíduos de 9 a 26 anos de ambos os sexos nas seguintes condições: convivendo com HIV/Aids; pacientes oncológicos em quimioterapia e/ou radioterapia; transplantados de órgãos sólidos ou de medula óssea.

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) recomendam a vacinação de meninas e mulheres de 9 a 45 anos de idade e meninos e jovens de 9 a 26 anos, o mais precocemente possível.

Homens e mulheres em idades fora da faixa de licenciamento também podem ser beneficiados com a vacinação, de acordo com critério médico.

Vacinar é um ato de amor e cuidado com você e sua família! 

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