Vacina contra HPV zerou casos de câncer de colo de útero, mostra estudo

15/02/2024 Notícias | Vacinas Saúde Livre Vacinas

Um estudo escocês mostrou que não houve nenhum caso de câncer de colo de útero entre mulheres que receberam a vacina contra HPV entre os 13 e 14 anos. A pesquisa foi publicada no final de janeiro na revista médica Journal of the National Cancer Institute, da Universidade de Oxford, no Reino Unido.

Os pesquisadores analisaram o banco de dados da Escócia com o rastreio desse câncer, investigando o histórico de saúde de mulheres cisgênero nascidas entre janeiro de 1988 e junho de 1996 – cerca de 450 mil pessoas.

A conclusão foi de que a vacina teve 100% de eficácia na prevenção da doença entre as participantes imunizadas ainda nessa idade. O resultado se mostrou consistente independentemente do número de doses recebidas.

Além disso, houve uma redução significativa no número de casos mesmo em mulheres que se vacinaram mais tarde do que o recomendado, entre 14 e 22 anos. No entanto, o estudo reforçou a necessidade de completar o esquema vacinal, ou seja, tomar as três doses, especialmente a partir dessa faixa etária.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o câncer de colo de útero é o quarto tipo de câncer mais comum entre mulheres. Foram registrados 604 mil novos casos e 342 mil mortes causadas pela doença em 2020 em todo o mundo. Com exceção de tumores de pele não melanoma, ele é o terceiro tipo mais incidente entre as mulheres no Brasil.

O que é o HPV?

Essa é a abreviação do nome em inglês do papilomavírus humano, um conjunto de cerca de 150 tipos de vírus que infectam a pele ou mucosa. Ao menos 14 deles têm relação estabelecida com cânceres.

A principal forma de contágio é por meio de relações sexuais. Porém, essa não é a única maneira. Os vírus podem ser transmitidos pela saliva e por perfuração ou corte com objeto contaminado. Há registros de de contaminação de mãe para o bebê durante o parto, apesar de ser mais raro.

O risco de desenvolvimento de câncer do colo do útero acontece principalmente com a infecção dos tipos HPV-16 e o HPV-18, que são responsáveis por cerca de 70% dos cânceres cervicais. Ânus, pênis, vulva, vagina, e orofaringe também podem apresentar tumores.

O HPV está presente no organismo de aproximadamente 291 milhões de mulheres no mundo. Delas, 32% têm os tipos graves. De acordo com pesquisadores, o papilomavírus é responsável por quase 100% dos casos de câncer de colo do útero; 85% dos casos de câncer de ânus; 35% de orofaringe; e 23% de boca.

Quem pode tomar a vacina contra HPV?

A vacina pode ser encontrada nas versões quadrivalente (que protege contra quatro tipos de HPV) e nonavalente (que protege contra nove tipos). Segundo o Ministério da Saúde, a cobertura da segunda dose está em 27,7% entre os meninos no país. Já entre as meninas, a cobertura é maior, atingindo 54,3%, mas ainda longe dos 95% recomendados.

O imunizante está disponível em clínicas particulares e em postos do Sistema Único de Saúde (SUS). Para meninas e meninos de 9 a 14 anos, 11 meses e 29 dias indica-se duas doses, com intervalo de seis meses entre elas. A partir dos 15 anos, são três doses: a segunda, um a dois meses após a primeira, e a terceira, seis meses após a primeira dose.

Dessa forma, é essencial receber a vacina precocemente para evitar doenças graves futuras.

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